sexta-feira, 8 de junho de 2018

a idade da razão

hoje eu vejo bem,
que não enxergava muito bem,
que não faz sentido o que eu via
quando te olhava.

Olhava em ti
o meu reflexo
e me apaixonei.

Quando, por fim,
nos cerramos os olhos
acordei em mim
e hoje eu vejo bem
que não enxergava muito bem
você.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

saber perder

Aos trinta descobri como é importante saber perder.
Quiçá poder escolher o território onde se derrama a derrota.
Eis a forma mais leve de repousar o rosto quente na terra úmida, cheia de rendição.

Quando se aprende a perder,
você também tem a ganhar.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

sobre a vida acadêmica e fazendo o caminho contrário

lê, relê e traduz.
Escreve, apaga, recorta
cansa de tanta exaustão.
engole em seco
retoma,
revolta,
retira-se
(...)
treme a perna e tamborila os dedos,
as xícaras de café se acumulam
o pó amargo está acabando
compra um maço de cigarros

Toma uma ducha,
se arruma e vai ouvir os adolescentes risonhos
volta, refaz, sai às pressas

todos os dias
adormece e amanhece
fazendo tudo de novo

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

o ano de Saturno

verdade que você não foi nada fácil
e ainda assim, foi necessário em minha vida.
gratidão, Saturno.
Vejo-o lá de cima:
e as estrelas não estão mais órfãs.





sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Cinderela

quando dou por mim, vinha seguindo a mesma via vã
não dou mais dois passos, disseram-lhe meus olhos despertos
e quando, por fim, ela entendeu,
deram-se as minhas espáduas livres

sábado, 9 de dezembro de 2017

Inunda e transborda, redundante e é

O tempo passa à sua maneira e nunca ele foi tão presente quanto hoje.
Nenhuma água parada, só as torrentes que jorram livres e frescas.
Vou-me para a água corrente, porque sei que nem mesmo a água da fonte é a mesma quando já desceu o córrego do ser.
Inundada, resfriante e viva. Eis o presente que é dádiva e umedece ainda mais a saliva quente.