segunda-feira, 21 de maio de 2018

saber perder

Aos trinta descobri como é importante saber perder.
Quiçá poder escolher o território onde se derrama a derrota.
Eis a forma mais leve de repousar o rosto quente na terra úmida, cheia de rendição.

Quando se aprende a perder,
você também tem a ganhar.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

sobre a vida acadêmica e fazendo o caminho contrário

lê, relê e traduz.
Escreve, apaga, recorta
cansa de tanta exaustão.
engole em seco
retoma,
revolta,
retira-se
(...)
treme a perna e tamborila os dedos,
as xícaras de café se acumulam
o pó amargo está acabando
compra um maço de cigarros

Toma uma ducha,
se arruma e vai ouvir os adolescentes risonhos
volta, refaz, sai às pressas

todos os dias
adormece e amanhece
fazendo tudo de novo

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

o ano de Saturno

verdade que você não foi nada fácil
e ainda assim, foi necessário em minha vida.
gratidão, Saturno.
Vejo-o lá de cima:
e as estrelas não estão mais órfãs.





sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Cinderela

quando dou por mim, vinha seguindo a mesma via vã
não dou mais dois passos, disseram-lhe meus olhos despertos
e quando, por fim, ela entendeu,
deram-se as minhas espáduas livres

sábado, 9 de dezembro de 2017

Inunda e transborda, redundante e é

O tempo passa à sua maneira e nunca ele foi tão presente quanto hoje.
Nenhuma água parada, só as torrentes que jorram livres e frescas.
Vou-me para a água corrente, porque sei que nem mesmo a água da fonte é a mesma quando já desceu o córrego do ser.
Inundada, resfriante e viva. Eis o presente que é dádiva e umedece ainda mais a saliva quente.




terça-feira, 10 de outubro de 2017

Cansei



Cansei de ser eu mesmo
Me deixa ser você
A vida não perdoa
Quem quer se reescrever

Cansei dessa rotina
Já não ouço o mesmo som
Cansei desse negócio
De tentar ser bom

Cansei dos meus retratos
Da falsa sensação
De ter você por perto
Não seu coração

Não me olhe desse jeito
Retoque seu batom
A sua vaidade
Faz parecer tão bom

Cansei dos mesmos rostos
Dessa repetição
Me deixa ser o centro
Da sua distração

Cansei dos inquilinos
Da minha solidão
Olhar você dormir
Não é compensação

Cansei da velha ideia
De segurar você
A reta do inseguro
Acaba na TV

Me entregue este controle
Me entregue a alma então
Amor você parece
Disco arranhado em vão
Pura repetição

[Silva]