sexta-feira, 31 de agosto de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Displicência.

Não, não. Agora é mesmo melhor não falares mais nada. Silencia e observa todos os meus passos soltos nessa terra-de-ninguém, enquanto saio buscando meios que não te tirem do meu caminho.
Só eu sei o horror e a minha má sorte de ouvir as coisas que tenho ouvido. É, só eu sei.

O sossego de se estar só, desacompanhada até daquela dúvida que levava para os interrogatórios delas, das opiniões únicas sobre fragmentos alterados, ninguém me pode arrancar.

Ficou aqui cravado no peito feito espinho lançado e dói e desola e daqui se esvai arduamente toda a sombra de dúvida e receio e vacilação, de modo que o que digo e escrevo são tudo o que há para dizer: é melhor mesmo não falares mais nada, meu bem, não levares adiante nem como responsabilidade ou mérito ou alma limpa ou decadência ou suposições. Fiquei nesse estado sombrio e pra vida voltar só mesmo nascendo surda outra vez...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

vem comigo?


[...]

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

[...]

{Manuel Bandeira}

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

so long,


não, não é possível, ou é, que sempre eu esteja sendo essa vilã que pintam por aí, não é possível que sendo esta vilã eu me aliene tanto dessa minha dupla identidade.
olha, as coisas têm se tornado cada vez mais insustentáveis e não é de hoje que as cenas acabam sempre pintadas desta forma: do lado de cá a grosseria em pessoa, do lado de lá, as vítimas, criaturas usadas.
Tenho que fazer um belo favor ao mundo e parar de me relacionar com ele?
Então me explica como, simultaneamente, ser você e ser quem querem que você seja, levando em conta o fato de seu espaço ter de ser respeitado, sua identidade, sua candura e bravura e depois seu direito a raiva, decepção e choro contido?
Por onde é que eu começo pra parar de acabar com as coisas quando dificultosamente elas seguem o seu curso normal?
Parece-me, tão só eu sei, que no meio dessa guerra cega, há mais feridas que as minhas ardendo aqui dentro.


[Quando você ler esse bilhete, já estarei na rodoviária.
Quem sabe até na alta estrada, viajei pra um cidade chamada solitária

Cansei de ser joguete cacete]

terça-feira, 14 de agosto de 2012

a big hard sun



Eles vinham deturpando essas estradas, os cabelos agitados, as vozes ofegantes, consumidos na histeria do encontro, mãos amistosas e raras, sorrisos ofegantes da novidade de se reconhecerem outra vez, tinham as mãos soltas, tinham as mãos presas um ao outro, mãos que guiavam e se perdiam nas expressões dos verbos soltos. Seguravam estas mãos quando ela reparou no catavento.

Ele quis dizer alguma coisa de que ela já não se lembra, da qual não pode esquecer-se nunca mais. Ela disse: pausa para olhar o curso da água, ouvir o seu som; ele disse que é estranho ali, tão perto dele, um trejeito seu.
E então ela sorri, dá graça ao saber, que ela teria dito o mesmo se ele tivesse ocultado esse pensamento porque já não se pode calar, uma verdade assim acontece aonde quer que não queiram os demais ambulantes que atravessam a calçada atrás deles.

There's a big, a big hard sun beating on the big people in the big hard world

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Eu não vou poder trabalhar, conversar, descansar sem o teu sim

 
 Para A.L.

Ouça como eu ouço esta canção. Isso, vou te contar o quanto eu sei que a cada dia você vai andar mais os meus passos e que as minhas palavras serão como suas palavras, saindo daí e repercutindo e se estranhando, modificando-se nesse laborioso processo de descaracterizar-se para atingir um ser, uma somatória, um item que agora desconheço e que me foge a imaginação costumeira.
Quando falarem de ti, e enquanto o fazem agora, sabemos que não dimensionamos a quem se referem por exato, quisá saberão os falantes. 
Vou te confessar, explicar que não há exclusividade nisso, dentro do que somos para os outros, nem um pouquinho.
 Mas se eu parasse para pensar mais que viver esses dias no ímpeto do respiro, ao teu lado, não saberia dizer ao certo onde é que começa o que você termina, que eu já tenha descomeçado e mesmo assim nessas horas de desencaixe a exclusividade surge como um mar tempestuoso.

Então ouve, é claro que somos cada qual uma semente,  pássaros rasando o horizonte, duas direções independentes que por hora se sobrepõe. Ouve essa música como você ouve e anda do meu lado pelo tempo que tiver de andar, eu sei que nessas noites frias as nossas confissões de amor serão como um hino, uma mesma língua, essa música que eu ouço como tu a ouves, sem o notar, assim na respiração do momento.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

I think I thought I saw you try

sério que eu podia sentar aqui e montar esse quebra-cabeças com você pra depois fingir que tudo bem a gente desmontar e montar de novo, ou arranjar milhões de desculpas, ou inventar aquelas mentiras bem-contadas dos velhos tempos.
Mas eu me arrumei alguns motivos pra não cair de novo em labirintos vazios os quais, a gente cansa de saber, não darão em nada. E não tendo palavra, não tendo idioma ou afinidade maior pra te explicar que né, a gente lutou até onde podia (mesmo?) e morreu na praia, me pergunto quando foi que repousamos tranquilas desde então.