segunda-feira, 29 de junho de 2009

"Quebranto e Equidade"

Faz o maior barulho lá fora e som que chega até mim vai quebrando cadeias celulares sem muito esforço. Observo nesse instante a parte que em mim é uma constante, e ela desenha teu contorno em meu rosto. Seguro-me nela sentindo-me de repente muito pequena e recosto a cabeça no banco do ônibus.Vou mantendo o teu cheiro na lembrança até conseguir afastar todo o resto que não me cabe. Sustento ainda essa parcial solidão, esse vazio que me preenche quando já não estás. Então chega afebre invariável e torna iníqua toda a cena. Vejo-me desmanchar entre o gotejar da chuva no vidro, são fragmentos dos meus sonhos com você que se despreendem sofregamente da janela. Saio andando sem rumo, sento-me na companhia de estranhos. Eles dizem um amontoado de não-sei-o-quê e só isso. Tudo premeditado. No fundo eu sabia que ninguém diria qualquer palavra de conforto.
Por isso mesmo é que eu estava lá sem você.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Só para confundir você"

"Batatinha quando nasce
jacaré não tem pescoço
se você gosta mesmo de mim
Por que roubou meu patinete?

Por quê? "

sábado, 20 de junho de 2009

"Tá bom"

O que ninguém sabe é que até este aqui é meio reservado, meio introspectivo, quase que precisam marcar horário para terem o ar de sua graça - não que seja digno de nota ou importante ou coisa assim do tipo. É que... Deixemos pra lá.
É. De qualquer maneira é um todo em duas partes.
Sempre.
E eu adoro abrir a boca na ironia do vento
falar de tudo aquilo que nem eu mesma entendo.
(...)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

"Nessa noite"

eu sei, e só eu sei, você é a mais distante de todas as coisas que me cercam. Estava há pouco, quase aqui, mas só deixa teu cheiro no ar. Como uma vaga lembrança a qual me agarro desesperadamente. Nessa noite, eu poderia te dizer quão desolador é imaginar as ruas da cidade sem você, porque tudo está bem próximo disto essa noite. Poderia te falar que sinto tua falta em cada beco, jardim e semáforo fechado e confessar que , andando através deles sozinha, nada disso tem sentido pra mim. E que não sou só eu, são também os lugares que anseiam por ti. Eu sinto que eles sentem. É, fazes falta. Nós bem sabemos e desconhecemos o tamanho exato da saudade que sentimos de ti.

Que saudades, meu amor. Que saudades até de quando não te conhecia. De quando passava noites como esta, em claro, imaginando as tênues linhas do teu rosto a me acalmar o pensamento. Perdia detalhes, eu sei, mas como era bom me deixar divagar na lembrança que me causavas ao passar. Confesso-te que imaginava teu timbre de voz, teu sorriso, tua cara bonita olhando lá de fora pra mim, dentro do ônibus. E de longe assim, és a coisa da qual mais sinto falta nesse instante.

Nessa noite, enquanto parecemos ser tão diferentes e contrapostas, feito o vermelho e o verde, o yin e o yang, eu ainda poderia jurar que iria pra qualquer lugar do mundo com você, poderia nadar contra a maré, dar socos no ar só para ver se alguém mais sente essa dor delirante de não te ter por perto. Fazer de conta que só porque você não me ligou não significa que acabou aqui, porque tudo é sempre um começo. É, poderia tatuar no meu corpo que tudo é sempre um começo com você. Poderia fechar os olhos e sair caminhando até a velha ponte de ferro, trôpega e completamente perdida mas determinada; ou poderia ir sentar-me na beira do rio e enche-lo com minhas garrafas de recados pra você.

Poderia fabricar redemoinhos lá embaixo, sobre a superfície da água, com a força do meu pensamento, só para me lembrar exatamente do teu sorriso naquela sexta-feira azul. Poderia engolir minha mágoa numa boa e beijar tuas costas nuas, me imaginar lá no teu desenho tatuado, percorrer a curvatura do teu corpo e beijar tua nuca, exatamente como na primeira vez. Poderia cortar meu cabelo bem curto, usar um óculos fundo de garrafa e construir um telescópio sozinha com a ajuda de um livro de física quântica, tendo na cara o sorriso mais nerd do mundo, só para me sentir mais em você do que em mim. Poderia ainda construir pequenos trilhos de trem em meu quarto e desenhar tua forma andando sobre eles comigo.

Poderia te falar de como é voar e te ensinaria a faze-lo com a maior facilidade do mundo ( dar-te-ia minha mão enquanto isso). Poderia jurar de pés juntos que consigo falar alemão - essa língua tão gutural e estranha de se falar - e poderia dizer que te amo, em japonês; ou fechar meus olhos no ar e deixar que assim fosse um pra sempre no pensamento. Poderia tudo que quisesse, meu amor, menos me sentir mais próxima de você do que você me permitiria essa noite.

sábado, 13 de junho de 2009

"Se te dissesse algo que pudesse fazer o dia cair do céu"

seria continue. Continue essa dança que teu corpo embala quando está comigo. Continue assim até durar pra sempre. E que medida de tempo em devaneios poderia ser tão precisa ao ponto de tornar um momento eterno através de um número domesticado pelo pensamento? Uma única unidade de medida chamada infinito que inunda de verdades os olhos aflitos e vai lá se espreguiçar sobre o lençol vermelho da cama que compartilhamos. Que poderia ser eterna ao ponto de nunca, nunca perecer nem entre números e gestos nem sussurros vorazes de corpos que se amam à meia luz de um aparelho televisor. E assim, sem ser preciso fazer muito sentido, o inverno pode ser pra sempre, ao seu modo, porque eu sempre gostei mais dele que do verão.

sábado, 6 de junho de 2009

"Flores"

Flores, amor.
Penso em todo tipo de flores.
Quero as macias para acariciar tua pele no rosto.
As mais cheirosas te levarei ao sentido do olfato.
As ainda frescas vão testar teu paladar quando vieres me beijar.
E quase esquivando-me dos teus lábios, levarei algumas delas roupas abaixo
te mostrando que o tato não é tão pleno apenas pelas palmas das mãos.
Ah, amor, flores...