sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

. E é tudo nosso .

Quando falas de mim e eu de ti, mesmo que simbolicamente, oculta ou espalhafatosa, falamos de nós, das nossas palavras, dos gestos contidos nelas. E quando falamos de nossas paixões e do quão elas se tornaram cruciais para nossa existência aqui, de nossas atitudes, de assuntos triviais, mesmo considerando esta hipótese, a trivialidade dos mundos, das vidas circundantes, é como dizer eu amo esse texto, eu amo o que ele representa em mim por causa de ti, do que significamos para os dois lados da moeda, e além disso, do que somos tão cúmplices até quando distantes assim, entre os verbos soltos.


Sei que se falar aqui por enigmas estarei melhor me reportando a ti, pelo que vejo quando me olho no espelho, ao passo que me espias daí, a outra face. É esse sorriso que acontece só de imaginarmos, como quando tu sorri só de ler e saber, é essa canção aqui e aí dentro que faz toda a diferença, que simplifica tudo e coexiste. Então não me desculpo quando teus passos são apressados porque minha boca se move sem falar nada e mesmo assim continuamos nos entendendo. Sem muito tempo de te acompanhar, porque caminhas bem à frente, vou dizendo baixinho logo atrás: “aonde tu fores, eu irei”, sabendo que de um jeito ou de outro e é tudo nosso.

6 comentários:

Ricardo Steil disse...

Neste novo texto assinado pela autora, mantêm-se a característica primordial da sua escrita, um cuidado com a sonância das palavras, uma musicalidade, por assim dizer. Mas, principalmente o texto-desabafo. Neste caso “E é tudo isso” dá um passo à frente dos anteriores apresentados. Porque cria uma atmosfera no qual a mensagem parece estar sendo transmitida por trás de um enorme muro ou abismo, no qual separa, a personagem lírica do outro ser ao qual é reportado o texto. E tão intensa esta atmosfera que inegavelmente somos expelidos a senti-la em nós mesmos. Completa-se ainda achados poéticos tais como: “somos tão cúmplices até quando distantes assim, entre os verbos soltos”, “minha boca se move sem falar nada e mesmo assim continuamos nos entendendo”. Belíssimo escritora, simplesmente, belíssimo. Parabéns, um retorno com classe, suavidade. Lispector morreria de inveja!

Edmar disse...

Não tenho nada a dizer sobre seu talento e sobre teus textos, pois bem sabes o que penso a respeito.
Apenas lhe digo:
Continua assim, sempre, cada vez melhor, texto após texto, nota após nota.
Te queremos na CBJE também!

Bjo.

Gisélle disse...

Mi
Você trocou a guitarra pela musicalidade das palavras?!
Lindo!

Ricardo Steil disse...

Precisamos dos teus textos Michelle, por favor, não nos abandone. Pessoal vamos lá, vamos pedir para a Michelle continuar publicando as lindas coisas que ela sempre escreve!

Edmar disse...

Concordo plenamente!

Etienne. disse...

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