sexta-feira, 1 de abril de 2011

Souvenir de abril.



Nem te disseram, os olhos estúpidos, quem estava lá te observando. Nem finas margens de lembranças ressaltaram as ondas do teu pensamento, nem fixaram as pétalas das flores no teu ar o cheiro de quando eu estava lá. De forma que nada te toca sem que peças por favor. Nada te preenche nem alcança sem que realmente o queiras. E assim posso ser passageira tanto para ti quanto rápido quiseres que o seja.

Atravesso a cidade inteira sozinha, dando espaço a esse vazio que fica depois do prelúdio dos amantes histéricos, permitindo que a curva do rio afogue as marcas da tua pele em meu corpo, que o cheiro e o sabor da tua boca seja gasto em cada cigarro aceso, que os nimbos acinzentados inundem os meus olhos aflitos.
É assim que se morre segura e esquecida, um pouco a cada dia...

2 comentários:

Ricardo Steil disse...

Puro blues! Pena Robert Johnson não estar mais aqui para musicar teus escritos Michelle. Esta parte realmente "permitindo que a curva do rio afogue as marcas da tua pele em meu corpo" parece que foi escrita pra mim de tanto que me tocou. É isto que separa os grandes autores daqueles que tentam ser autores. Olha novamente de parabéns. Um milhão e meio de beijos ;-)

Edmar disse...

Olá.

Novamente te superas.
Verso após verso, escrita após escrita.

Seja sempre assim, cada vez melhor.

Beijo